segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Star Trek e o comunismo


Neste texto, apresento brevíssimas (brevíssimas mesmo!) reflexões acerca do caráter social e econômico da sociedade vista em Star Trek. Utilizo apenas uma fala, cotejada com um trecho da obra marxiana. Um texto de mais fôlego está sendo preparado e será publicado num futuro sem data ainda.

A discussão sobre se Star Trek apresenta uma sociedade comunista ou não é eterna. E ela é importante pois busca compreender a essência da obra atrás de sua aparência. Aliás, como o próprio Marx frisava, se aparência e essência coincidissem toda ciência seria supérflua. Dessa forma, debater sobre o caráter da vida sob a Federação é imprescindível para todos os admiradores de Star Trek que não se contentam apenas com a tecnologia das naves e os efeitos especiais dos filmes e episódios.

Mas, o que é importante destacar é que Karl Marx não se tratava de um adivinho. Não era uma mãe Dinah do século XIX. Tendo isso vista - sem esquecermos de sua luta revolucionária ao lado dos trabalhadores de todo o mundo - é fácil observar em sua volumosa obra que Marx dedicou muito poucas páginas para descrever o que seria o comunismo.

Marx era um um pensador, um cientista que dedicava seu tempo e energia para analisar a sociedade burguesa e o modo de produção capitalista de maneira objetiva e concreta. Assim, apesar de destrinchar as estruturas capitalistas e burguesas e propôr a superação do modo de produção capitalista como condição fundamental para que o ser humano possa realizar-se integralmente, Marx não redigiu uma receita de bolo sobre como deveria ser a sociedade comunista. O que Marx e Engels fizeram, e isto aparece claramente no Manifesto Comunista e n'A Ideologia Alemã, foi constatar que o programa anticapitalista da classe revolucionária não surge de desejos nem como receituário estabelecido por profetas. A viabilidade do programa comunista vem da análise concreta que Marx e Engels fizeram do sistema capitalista, extraindo dele próprio as alternativas para um novo mundo. É justamente esse avanço do pensamento que proporciona a transição do socialismo utópico para o socialismo científico.

De toda forma, Marx é um autor genial até os dias de hoje pois seu trabalho continua atual e continua explicando as contradições e crises do capitalismo. Apesar da crença dos pós-modernos, que sucumbem atualmente, e com todas as diferenças perceptíveis, ainda continuamos dentro de uma mesma lógica, a lógica moderna, industrial, predatória dos homens e do meio ambiente que tem como centro a mercadoria e a busca incessante de lucros e acumulação de riquezas.

Nesse ponto, buscando contribuir com a discussão, trago a conhecida fala de Picard (Patrick Stewart) no filme First Contact (Roteiro: Brannon Braga e Ronald D. Moore; Direção: Jonathan Frakes, 1996):

Não existe dinheiro no século 24. Acumular riqueza não é mais a força motriz de nossas vidas. Trabalhamos para melhorar a nós mesmos e o resto da humanidade.

Ao afirmar que a economia do século 24 é diferente inexistindo o dinheiro, sem dúvida alguma tal sociedade se aproxima das pistas dadas para o que seria a sociedade comunista: ausência de dinheiro , fim do conflito de classes, supressão do Estado enquanto ditadura de classe etc.


Mas o ponto principal está na verdadeira liberdade individual que provoca a ruína do individualismo capitalista. Assim, teria sido atingido o objetivo da Revolução Comunista conforme conclamada no Manifesto Comunista de 1848, a partir da supressão da

(...) velha sociedade burguesa, com as suas classes e antagonismos de classes” que é substituída por “uma associação na qual o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos” (Marx-Engels, São Paulo: Boitempo, 1998, p. 59).

Como visto, a fala de Picard tem o mesmo sentido do trecho extraído do Manifesto Comunista.

Conforme dito acima, esta foi apenas uma breve reflexão, que pode e deve originar outras.



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