domingo, 31 de janeiro de 2016

Arte conceitual revela nave da Frota Estelar em Star Trek: Beyond

Com informações do site http://trekcore.com/

Pôster com a USS Franklin

Durante a produção de Star Trek: Sem Fronteiras houve uma campanha de caridade da Omaze que premiou os participantes com visitas até os sets de filmagem. Além destes poucos sortudos, outros foram premiados com broches, fotos, mensagens de vídeo especiais e artes conceituais do novo filme.


Um destes afortunados trekkers recebeu uma imagem emoldurada que revela em detalhes uma nova espaçonave da Frota Estelar: USS Franklin. Aparentemente esta nave terá papel importante no filme, pois será a nave utilizada pela tripulação após a destruição da Enterprise. 

A nave segue o design das vistas nos dois filmes anteriores, no entanto deve ser uma nave mais antiga, possivelmente abandonada no planeta no qual a tripulação estará dispersa após o ataque à Enterprise, e que servirá para a volta dos tripulantes ao espaço. 

No detalhe, podemos ver a insígnia no uniforme de Spock mostrando o nome "USS Franklin":


Igualmente, no monitor ao fundo de Scotty, uma imagem que lembra o design da nave:


Detalhe frontal da USS Franklin:



No cânone de Jornada nas Estrelas podemos encontrar duas naves com o nome de USS Franklin. A primeira é a NCC-246, que esteve em serviço no século 22, pela United Earth. A segunda, a NCC-1743, é do século 23, já a serviço da Federação. Contudo, ambas as naves aparecem somente em games e RPG, não estando em nenhuma história contada na tv, cinema ou livros. 

Minha aposta é que a USS Franklin de Star Trek: Beyond será a NCC-1743, pela semelhança visual. A conferir.






quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Projeto abandonado de Star Trek seria perfeito para a nova série de TV

Com informações do site http://moviepilot.com/

Em 2006, após o cancelamento de Enterprise, um novo projeto surgiu, desta vez para uma série animada de Star Trek. O título era "Final Frontier" e o conceito, os enredos e os personagens foram complexamente desenvolvidos na época, no entanto, o show nunca foi produzido.

"Final Frontier" se passa por volta do ano 2528, quase 200 anos após o fim de Voyager, e por esta época uma sangrenta guerra contra os romulanos dividiu a Federação em duas facções. Contudo, como fator complicador, a guerra na verdade foi deflagrada por uma espécie alienígena desconhecida, com o nítido objetivo de causar um conflito entre a Federação e o Império Romulano. Aí entra a trama principal da série, que é investigar quem são estas pessoas e o que elas querem. Para isso, uma nova tripulação, de uma nova Enterprise, embarca em uma missão exploratória pacífica, voltando aos tempos em que a Frota Estelar ia audaciosamente onde ninguém jamais esteve.

Eu, particularmente, adoro a ideia de que a série se passe no século 26. Quero muito que o retorno de Star Trek à TV esteja situado neste período, ou até mesmo além. Da mesma forma, acho a premissa de "Star Trek: Final Frontier" deveras interessante, podendo render novas e canônicas histórias no universo de Jornada nas Estrelas. E não como animação, mas com atores de carne e osso. Penso que será fascinante acompanhar estes novos tripulantes.

E vocês, o que acham?

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A volta de Arquivo X: continuamos querendo acreditar

Peço licença para falar de Arquivo X, mesmo sendo este blog um espaço para discussão sobre Star Trek. Mas é impossível deixar de comentar o retorno da série, que é objeto de minha adoração quase na mesma medida em que amo Jornada nas Estrelas.

Após 14 anos, The X-Files voltou em grande estilo. E mais que isso: com grande dignidade. 

Os dois episódios exibidos nesta madrugada pela Fox Brasil transportaram os fãs de volta aos anos 90, quando todos acompanhavam apaixonados as aventuras dos agentes do FBI Fox Mulder e Dana Scully, rindo, sofrendo e querendo acreditar com eles. 

A série não perdeu a sua essência e só cresceu com o passar do tempo. O uso de temas atuais, como drones, vigilância dos cidadãos por parte do governo através da internet e conspirações pós-11 de setembro, atualizaram a série de maneira a encantar novos e antigos admiradores, e é certamente um dos grandes trunfos do criador Chris Carter. O mundo mudou - e muito - desde que Arquivo X acabou. Hoje vivemos em rede, hiperconectados, em meio a uma guerra ao terror, muitas vezes querendo a proteção do governo, sem espaço para questionamentos. A volta de Arquivo X traz de novo as antigas inquietações conspiratórias: afinal, a verdade está lá fora, e não se pode confiar em ninguém.

Eu poderia dizer que a química entre David Duchovny e Gillian Anderson continua a mesma. Mas não estaria sendo justo. Ela melhorou - sim, quem pensava não ser possível isto se enganou: os dois nasceram para interpretar os agentes do projeto Arquivo X e fazem isso com cada vez mais maestria. São atores/personagens vinho. 

Walter Skinner e o canhestro e redivivo Cigarette Smoking Man também deram as caras. Além deles, o elenco conta com novos nomes: a linda Annet Mahendru, interpretando uma vítima recorrente de abduções e Joel McHale, o dúbio Ted O'Malley, um apresentador de TV extremamente conservador, que ganha muito dinheiro explorando teorias conspiratórias.

A premissa do retorno da série é interessante. No primeiro episódio, intitulado "My struggle", O'Malley procura Mulder, com um caso para o Arquivo X. A partir disso, Scully e Mulder - que já não se veem há algum tempo - voltam à ativa, despertando antigos e perigosos inimigos. É a continuação da mitologia, com muitas e surpreendentes reviravoltas. E os aliens, obviamente, estão lá.

No segundo episódio, chamado "Founder's mutation", temos um misto dos clássicos episódios "monster of week", no entanto, relacionado às tramas mitológicas da série. Está tudo lá: os feixes de luz das lanternas dos agentes cruzando no escuro, mutações genéticas, telecinese e um grande e envolvente mistério. Há ainda momentos de pura ternura, em cenas que trazem à tona a questão de William, o grande trauma para Mulder e Scully, que foi abordado com rara beleza e sensibilidade. Tenho certeza que muitos chegaram às lágrimas assistindo estes momentos. 

Há um detalhe saborosíssimo nesse revival de The X-Files: a abertura é a original. Ao longo das 9 temporadas a abertura sofreu pequenas alterações, basicamente na sua extensão. Mas nas duas últimas temporadas ela mudou bastante, com a inserção dos novos personagens. No entanto nunca foi a mesma coisa. A abertura original é mágica, transporta o telespectador instantaneamente para o universo Arquixo X. Por isso acredito que a opção em usar a abertura original tenha sido uma das grandes sacadas da nova produção. É de arrepiar.

Como um dos raros pontos negativos, eu poderia salientar a edição muito rápida, quase videoclípica, talvez uma espécie de ansiedade em mostrar muitas coisas, em recuperação ao tempo perdido. Afinal, 14 anos se passaram. Mas o brilho de ver Mulder e Scully em ação novamente é maior, e esses pequenos detalhes não passam então de... pequenos e insignificantes detalhes. Nada pode ofuscar o fato de que é muito gostoso vê-los novamente sentadinhos em frente ao diretor Skinner, uma cena familiar. Ou então perceber que Mulder já não usa mais o antiquado projetor de slides para introduzir Scully aos casos: agora usa uma grande tela, bem mais adequada. Pena que serão somente 6 episódios. Arquivo X tem muito fôlego, acredito que deveriam ter sido produzidos no mínimo o dobro de episódios.

Muito melhor que os filmes para o cinema, o retorno de Arquivo X à TV - afinal, seu formato original e mais funcional - escreve mais um capítulo glorioso dessa nova fase de ouro dos seriados que experimentamos atualmente. Evidentemente, nunca será como a série antiga. O mundo é outro Mulder e Scully são outros, nós somos outros. Mas, foi uma volta digna - à altura do legado da série e com autorreferência competente - que certamente criará uma nova geração de fãs.

Vida longa e próspera a Mulder e Scully. Continuamos querendo acreditar.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Star Trek: Sem Fronteiras vai homenagear a série original e Leonard Nimoy

Com informações do site http://www.etonline.com/

O terceiro filme do reboot iniciado por J. J. Abrams em 2009 chegará aos cinemas daqui a poucos meses, em 22 de julho. É o filme que marca os 50 anos da franquia, e devido a isto todos estão se perguntando como Star Trek: Beyond homenageará a série original. 

De acordo com Chris Pine, que interpreta o Capitão Kirk:

"Todos querem fazer uma verdadeira homenagem aos 50 anos da série e acho que o filme tem esse sabor de volta ao passado".

Nesse sentido, Star Trek: Sem Fronteiras seria uma volta ao início.

A respeito dos novos uniformes, com ombreiras, Karl Urban (Dr. McCoy) disse: 

"É um pouco retrô, o que eu realmente gosto... os designers têm feito um trabalho maravilhoso em prestar uma homenagem a Star Trek do passado".

Além disso, o filme será o primeiro após a morte de Leonard Nimoy, que faleceu em fevereiro de 2015, vítima de uma doença pulmonar, aos 83 anos.

Sobre isso,  Urban afirma:

"O filme em si é uma espécie de tributo suficiente. Leonard era um homem especial, muito especial. Eu acho que o espírito dele tem inspirado essa nova encarnação desde o início. Sentimos falta dele. Desejamos que ele fizesse parte disso, mas sabemos que ele agora está em um bom lugar".

Os atores falaram muito e bonito. Cheira a discurso com alvo certo: os fãs descontentes com os rumos da franquia. A conferir. 

sábado, 9 de janeiro de 2016

Os 20 anos de Star Trek: First Contact - seu lançamento visto pela imprensa brasileira

Dando continuidade ao post da semana passada sobre os 30 anos de "Star Trek IV: The Voyage Home" e de como o filme foi avaliado pela crítica na imprensa brasileira, hoje trataremos, sob a mesma perspectiva, sobre o segundo filme de TNG: "Star Trek: First Contact", lançado dez anos depois, em 1996.

Contando com realizadores desde sempre envolvidos com o universo da franquia (produzido por Rick Berman - espécie de sucessor de Gene Roddenberry - escrito pelos profundos conhecedores de Star Trek, Brannon Braga e Ronald D. Moore, e dirigido pelo intérprete do Comandante William T. Riker, Jonathan Frakes), "Star Trek: First Contact" é um filme trekker por excelência, considerado por muitos fãs como um dos melhores momentos de Jornada nas Estrelas no cinema. 

Além disso, é o primeiro filme da franquia a não contar com nenhum dos atores do elenco da série original, sendo este o oitavo filme de Star Trek e também o filme comemorativo dos 30 anos de Jornada nas Estrelas.

No Brasil, o filme teve uma boa cobertura pelos suplementos culturais dos jornalões.

Por exemplo, em 21/02/1997 - data do lançamento do filme no Brasil, três meses após a estreia nos EUA - o jornal O Estado de São Paulo publicou três matérias tratando da produção. 


Na primeira delas, sob o título "Enterprise evita o extermínio da humanidade" - uma crítica assinada por Luiz Zanin Oricchio - o jornal considerava a "autorreferência" como um dos pontos fracos do filme, criticando igualmente a trama por sua simplicidade. O crítico chama ainda a série de "uma forma alternativa de religião" e opina que o filme é feito somente para os iniciados da "seita". Para o autor, todos aqueles elementos que a maior parte dos trekkers considera como qualidades indispensáveis aos filmes da franquia são grandes defeitos:

[o filme] alterna bons momentos com aquele que é o contumaz ponto fraco da Jornada, pelo menos para o "público externo": o esoterismo dos conceitos e a autorreferência. (...) É comum, no cinema, ouvir-se risos sem que nenhuma piada mais evidente tenha sido dita na tela. O espanto revela a ignorância do espectador leigo, que não vê graça onde os trekkies enxergam todo um universo de referências.
Como pontos positivos do filme, o crítico destaca a grande atuação de Patrick Stewart e o visual assustador dos Borgs.


Na mesma edição, o jornal publica entrevista com Patrick Stewart, sob o título "Stewart encarna de novo o Capitão Picard". Na introdução da entrevista, realizada por Marcelo Bernardes, este comete alguns erros, como chamar Spock de "doutor" e, misteriosamente, afirma que o Jornada nas Estrelas IV era considerado a "obra-prima dos personagens criados por Gene Roddenberry". Não me perguntem de onde o jornalista tirou esta informação. 

Na curta entrevista (ao menos somente três perguntas foram publicadas) Stewart revela estar "pela primeira vez na carreira ciente da fusão ator/personagem" ao comentar sua forte identificação com o capitão Jean-Luc Picard, um trabalho que, segundo o ator lhe deixa "imensamente orgulhoso". Quando perguntado sobre como era interpretar pela segunda vez no cinema o Capitão Picard responde:

O homem é muito acessível para mim agora. Na verdade, tão acessível que é pura verdade dizer que não sei quando Patrick Stewart sai de cena para Jean-Luc Picard entrar.

Stewart revela ainda que a roupa usada na cena da caminhada espacial fora da nave foi a mais desconfortável que usou em toda sua carreira - tendo inclusive passado mal - , sendo este um grande desafio durante as filmagens de "Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato".

Ainda no Estadão, há uma entrevista com James Cromwell (Zefram Cochrane), que informava nunca ter assistido até então nenhum episódio de Star Trek. O ator conta ter fascínio por alienígenas e que estava naquele momento escrevendo um livro sobre o tema. Refletindo sobre o filme, Cromwell diz que o futuro otimista de Jornada nas Estrelas foi o fator determinante a convencê-lo a estar na produção e que considera os Borgs como uma metáfora do "capitalismo indo para a latrina". 

Por sua vez, o jornal O Globo, tem opinião diferente do Estadão: para O Globo "Star Trek: First Contact" é um filme que não agrada somente aos trekkers, mas também a um público mais amplo. O crítico Rogério Durst, em texto de 21/02/1997 intitulado "Série de vida longa e próspera" afirma:

O filme é esperta exploração do aniversário de 30 anos da antológica série de TV. Com qualidades suficientes para interessar um público que não é fã de carteirinha do original ou dos personagens do outro seriado, "Jornada nas Estrelas - A nova geração".
No entanto, o crítico escorrega feio ao comparar o clima de "Star Trek: First Contact" ao dos filmes de terror da série "Hellraiser". Em resumo, uma completa falta de conhecimento do significado dos Borgs na história, que acabou levando o crítico a basear-se apenas no sentido estético dos vilões.

Na mesma página, há uma nota intitulada "De volta onde nenhum homem jamais esteve", assinada por Leonardo Pimentel, que se autointitula "trekker ortodoxo".  Finalmente alguém que conhece Star Trek opina. O autor comenta o lançamento do filme avaliando que desde "A Ira de Khan" nenhum filme da franquia fora tão ligado à série de TV que lhe deu origem. Além disso, a matéria lembra que o filme traz elementos de Deep Space Nine (a nave Defiant) e de Voyager (o Doutor). Traz ainda a informação sobre problemas nas legendas "que trocaram a dobra espacial por 'dobraduras' e phasers em 'faseadores'. 

Em 23/03/1997 O Globo publica matéria intitulada "Vida longa e próspera para o capitão Picard", onde entrevista o ator Patrick Stewart. Na entrevista, Stewart avalia que com os filmes a série teve a chance de conquistar um novo público. Outro aspecto interessante desta matéria é que, no texto, assinado por Carlos Helí de Almeida, aborda-se uma discussão bastante atual entre os trekkers: o quanto de ação deve ter um filme de Jornada nas Estrelas?

Os mesmos trekkers que festejam a contribuição de Stewart enxergam em "O primeiro contato" cacoetes de filme de ação, contrariando o espírito original do programa criado por Gene Roddenberry, que costumava transportar para o século XXIV questões sobre a condição humana atual. 

Vinte anos depois, boa parte deste trecho destacado acima poderia ter sido extraída de alguma discussão a respeito do trailer de "Star Trek: Sem Fronteiras" divulgado recentemente.

No entanto, Stewart não via problemas no filme contar com mais elementos de ação, achando esta uma estratégia válida para a ampliação do público:

Acho que, ao adotarmos as qualidades de um filme de ação, estamos conquistando um novo público com este filme - entende o ator. Mas isso não quer dizer que estamos abandonando os fundamentos da série. Ao contrário, eles estão substancialmente lá, nas entrelinhas, até de uma forma bastante complexa. 
Após esse breve sobrevoo sobre como a imprensa brasileira refletiu o lançamento de "Jornada nas Estrelas: Primeiro contato", algumas questões se tornam evidentes. A primeira delas - que também surgiu na cobertura da estreia de "Jornada nas Estrelas IV: A volta para casa" dez anos antes - diz respeito ao caráter mais ou menos "trek" dos filmes. Aliás, discussão que permanece até os dias de hoje. Importante ressaltar que houve alguma divergência entre os críticos, alguns considerando "Star Trek: First Contact" um filme inteligível somente para os fãs, outros o percebendo como capaz de conquistar públicos não iniciados. Um outro aspecto importante está no fato de que na maior parte das vezes a grande imprensa brasileira dá espaço a críticos não familiarizados com o universo de Star Trek, algo que acaba por comprometer a qualidade das críticas. Como honrosa exceção houve desta vez o jornal O Globo, que publicou texto de um crítico assumidamente trekker. Finalmente, esteve presente na época uma questão mais atual do que nunca: o temor por parte dos trekkers de que Jornada perca sua essência em favorecimento da maior presença de características de filmes de ação. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Cinco nomes que poderiam salvar Star Trek

A discussão sobre a "trekcidade" dos filmes de Star Trek é antiga. Agora, com a divulgação do trailer de "Star Trek: Sem Fronteiras" os ânimos se exaltaram novamente. Grande parte dos trekkers considerou haver um excesso de ação e muito pouco da essência de Jornada nas Estrelas no filme a ser lançado em julho deste ano. Os críticos do reboot de J.J. Abrams avaliam que o terceiro filme da nova fase, desta vez dirigido por Justin Lin, poderá levar Star Trek onde nenhum dos filmes esteve antes, porém não de maneira positiva, e sim causando a completa descaracterização da franquia.

O blog fez uma lista de cinco nomes que poderiam provocar uma guinada nos caminhos tortuosos pelos quais Star Trek caminha hoje, direcionando a série às suas boas raízes.

1. Rick Berman

Histórico: Rick Berman tem 70 anos, natural da cidade de Nova York. Começou sua carreira realizando documentários políticos, trabalhando em 1970 como assistente de produção em curta de John Lennon e Yoko Ono. Mas foi a partir de 1986, como produtor executivo de Star Trek: The Next Generation, que sua vida se entrelaçaria definitavemente com a franquia, chegando a ser considerado o sucessor de Gene Roddenberry. Após o grande sucesso da série esteve envolvido na produção dos quatro longas-metragens de TNG. Além disso, foi o produtor executivo de Deep Space Nine, Voyager e Enterprise. Como se não bastasse, além do trabalho na produção, Berman escreveu diversos episódios de todas as séries de Star Trek a partir de TNG.

Por quê: Berman talvez seja a pessoa viva mais envolvida com tudo a que diga respeito a Star Trek. Muito do que conhecemos e admiramos hoje em dia como algo que possua a "essência de Star Trek" é devido ao trabalho criativo de Rick Berman.

Citação: "Criamos 624 horas de televisão e quatro filmes de destaque, acho que fizemos um trabalho dos diabos."

2. Brannon Braga

Histórico: Brannon Braga tem 50 anos e poderia contribuir ainda por muitas décadas com Star Trek. Trabalhou em três séries da franquia: TNG, Voyager e Enterprise, sendo um dos criadores desta última. Braga carrega o título de maior número de roteiros escritos em toda a história da franquia, com as impressionantes marcas de 111 episódios e dois filmes. Em TNG escreveu alguns dos episódios mais populares, como "Parallels", "Cause and Effect" e "Realm of fear".

Por quê: Brannon Braga é uma força criativa sem paralelos em Star Trek. Conhece profundamente todos os detalhes de cada personagem, mesmo os secundários. É um autor que une duas características básicas para agradar os trekkers: domínio absoluto do tema e capacidade criativa que não apela para fatores externos a fim de agradar amplas audiências. Além, é claro, de ter praticamente crescido fazendo Star Trek, já que começou a escrever roteiros para a franquia com 21 anos.

Citação: "O episódio do qual mais me orgulho é 'All good things...', por uma série de razões. No topo da lista: por ser um grande episódio de duas horas que explorou plenamente os personagens e seus sentimentos, onde começaram, onde estavam e para onde iam."

3. Ronald D. Moore

Histórico: Moore completará 52 anos em 2016 e é um roteirista que forma uma excelente dupla com Brannon Braga. Iniciou muito jovem também em TNG, contribuindo pela primeira vez com um roteiro para a terceira temporada. Além disso, escreveu os filmes Generations e First Contact em co-autoria com Brannon Braga. Escreveu o roteiro de um dos episódios mais espetaculares de toda as séries de Star Trek: Trials and Tribble-ations (DS9, 5x06)

Por quê: Não existe ninguém que escreva história sobre viagem no tempo para Star Trek como Ronald D. Moore. Só isto já bastaria para que ele tivesse lugar garantido em toda e qualquer produção da franquia. Mas tem mais: ele também é o cara que melhor saber criar episódios centrados em klingons.

Citação: Sobre a briga com Brannon Braga e a saída de Voyager: "Estou muito magoado com Brannon. O que aconteceu entre mim e ele é apenas entre mim e ele. Foi uma quebra de confiança. Eu teria saído de qualquer programa onde eu não pudesse participar no processo." Depois eles fizeram as pazes.

4. Jonathan Frakes

Histórico: O nosso eterno "Number one". Frakes tem a incrível marca de ter dirigido 8 episódios de TNG, 3 episódios de Deep Space Nine e 3 de Voyager. Além disso, dirigiu o grande sucesso nos cinemas "Star Trek First Contact" e "Star Trek Insurrection". Possui vasta experiência como diretor, tendo dirigido mais de 30 produções fora de Star Trek. Conhece o universo da franquia como ninguém e se mostra disposto a contribuir com a direção dos novos filmes. Quando J. J. Abrams revelou que não dirigiria o terceiro filme do reboot os fãs se mobilizaram em uma campanha em prol do nome de Frakes, porém sem sucesso.

Por quê: Conhece o universo de Star Trek como poucos e sabe como dirigir Star Trek. Não somente por extrair o melhor dos atores dentro da proposta da franquia, mas por não inventar coisas mirabolantes, como as famigeradas lens flare, por exemplo. É um nome respeitado e admirado pelos trekkers.

Citação: "TNG foi a primeira grande oportunidade para todos nós, exceto para LeVar e Wil Wheaton que já eram meio famosos antes. Mas para o resto de nós, que tínhamos sido atores toda a vida, foi muito importante."

5. Ira Steven Behr

É o criador do arco "Dominion War". Ponto.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Os 30 anos de Star Trek IV: The Voyage Home - seu lançamento visto pela imprensa brasileira


Finalmente, chegamos ao ano de 2016, ano que promete - e muito - em termos de Jornada nas Estrelas. Em primeiro lugar, este será o ano no qual a franquia comemorará seus cinquenta anos. Neste ano também será lançado o novo e já polêmico filme "Star Trek: Sem Fronteiras". Por fim, em 2016 teremos a produção de uma nova série para a TV, com previsão de estreia para o início de 2017.

Mas não é só isso. Em 2016, dois importantes filmes da franquia completam datas “redondas”: "Star Trek IV: The Voyage Home", lançado em 1986, chega aos 30 anos; e "Star Trek: First Contact", de 1996, completa 20 anos de lançamento. Curiosamente, ambos retratam tripulações de diferentes Enterprises voltando ao passado da Terra. Voltaremos ao passado aqui também, lançando um olhar sobre como a imprensa brasileira retratou o lançamento destes dois filmes.

Desde que me tornei um trekker, aos 12 anos de idade, tenho por hábito colecionar recortes de revista e jornal com matérias sobre Jornada nas Estrelas. Com o advento da internet, e posteriormente das hemerotecas digitais, pesquisar e catalogar matérias sobre Star Trek publicadas na imprensa brasileira ficou ainda mais fácil. No texto de hoje abordarei como foi retratado aqui no Brasil o lançamento de "Star Trek IV: The Voyage Home"; na semana que vem tratarei sobre "Star Trek: First Contact".

"Jornada nas Estrelas IV: A volta para casa", dirigido por Leonard Nimoy, foi o filme comemorativo dos 20 anos de Star Trek. É um filme leve e divertido, apesar de abordar um tema bastante importante: a necessidade de preservação do nosso planeta e da vida na Terra, chamando a atenção para a extinção das baleias devido à ação humana. A ecologia ganhara força na década de 80, e esse fato já garante um lugar especial para "The Voyage Home" no panteão dos grandes filmes de Jornada nas Estrelas, pois a película seguiu à risca os preceitos de Gene Roddenberry, que versavam a respeito da importância de Star Trek abordar temas contemporâneos e relevantes.

Em 11/09/1986 o jornal O Estado de São Paulo publicava nota intitulada "20 anos de Jornada" na qual noticiava sobre uma festa que a Paramount havia dado alguns dias antes - durante as filmagens de "Star Trek IV" - para comemorar as duas décadas da franquia. O objetivo, além de comemorar, era homenagear o elenco. A festa aconteceu nos estúdios da Paramount, em meio às filmagens de “The Voyage Home”. Mas o ponto mais interessante desta notícia é que ela já informava sobre os planos do estúdio para “uma nova série com atores mais jovens" - e de fato TNG foi lançada no ano seguinte, recriando a franquia - e também trazia informações sobre o próximo longa que poderia ser dirigido por William Shatner. De fato, "Star Trek V" viria a ser dirigido por Shatner e lançado três anos depois, em 1989. Pelo visto, as fontes do Estadão eram bastante precisas, com informações muito quentes. 

Quase um ano depois, em 04/06/1987, o jornal O Globo informava, em crítica assinada por Ely Azeredo, sobre a estreia no Brasil de "Star Trek IV" naquele dia (sim, naquela época os filmes demoravam meses para estrear por aqui). 

No texto intitulado “Enterprise de volta”, o jornalista afirmava que o filme seguia a tendência do cinema americano de contar histórias de viagem no tempo (em provável referência a "De Volta Para o Futuro", de 1985) e que se diferenciava dos filmes anteriores por "trilhar os caminhos da comédia-aventura". Apesar destes aparentes dois “deslizes” do crítico - pois Star Trek sempre teve diversas histórias que envolviam viagens no tempo e sempre possuiu elementos cômicos -, o autor revela algum conhecimento sobre a franquia, ou ao menos ter entrevistado pessoas que conheciam o tema:

"Jornada nas Estrelas IV", segundo os estudiosos da trekmania está mais perto do espírito original estabelecido na televisão. E eles lembram que não é a primeira viagem no tempo empreendida pelos heróis da espaçonave Enterprise: em um dos episódios da tele-série, "The city on the edge of forever", eles foram à Nova York da década de 30.


Já em São Paulo o filme estreara um mês antes do que no Rio de Janeiro, segundo registra a matéria "Risos do espaço" publicada pela revista Veja em 06/05/1987. A crítica, assinada por Okky de Souza, é positiva, enxergando o componente cômico da película como algo que a tornava uma "produção original no gênero". No entanto, existem algumas imprecisões como o fato do autor chamar a Enterprise de "uma nave americana". Nesta crítica, da mesma forma que aquela publicada pelo Estadão, há o entendimento de que o filme tinha condições de atrair um público mais amplo, não ficando restrito aos trekkers, agradando igualmente os fãs dos filmes genéricos de ficção científica:

Os entusiastas dos filmes espaciais não se decepcionarão: há, no início e no fim de Jornada nas Estrelas IV, toda a parafernália de efeitos especiais computadorizados típicos do gênero.

Meses depois, em 29/03/1988, o Estadão noticiava em nota assinada por Cláudio Odri e intitulada “Diário de bordo, data estelar…” o lançamento em vídeo, pela CIC, de "Star Trek IV" e fazia algumas críticas, ponderando que. se esse não era o melhor filme da série, pelo menos era o de maior faturamento até então. Mais uma vez há a percepção de que este filme não se destinava somente aos iniciados em Star Trek:

Caso você não tenha assistido aos outros filmes da série, não se desespere. No começo dessa fita há uma introdução, suficiente para você não sentir falta de algum pedaço da epopeia sideral.

No entanto, a opinião geral é de que se trata de um bom filme:

Misturando humor, aventura e uma grande mensagem - embora um tanto quanto superficial - ecológica, é diversão garantida. Os saudosistas vão matar suas saudades, e aqueles que não tiveram o prazer ainda de conhecer a Jornada nas Estrelas não resistirão. Absurdos sim, mas nada de estupidez ou tolices.

Contudo, fica evidente a intenção do autor em alfinetar a produção, mesmo sem encontrar motivos para isso. Dizer que o filme possui uma “grande mensagem” e logo em seguida tachá-la de “superficial” soa bastante contraditório. O vício da crítica pela crítica. 

Rapidamente, vimos alguns exemplos de como a imprensa brasileira retratou o lançamento de “Jornada nas Estrelas IV: A volta para casa” por estas bandas. Alguns pontos ficam claros: em primeiro lugar, salta aos olhos uma questão que é bastante atual e já era discutida à época: o quão “trek” o filme era ou não era, no sentido de agradar públicos maiores. Como segundo aspecto, temos a avaliação positiva do filme, devida sobretudo ao seu caráter cômico, que parece ter agradado os críticos brasileiros. Por fim, o momento glorioso pelo qual passava a franquia: filmes adorados pela crítica e pelo público, inspirando novos projetos que se concretizariam logo à frente. 

No próximo post, na semana que vem, veremos como a imprensa retratou o lançamento de "Star Trek: First Contact" no Brasil.