sexta-feira, 5 de junho de 2020

Star Trek e política


Desde 1966, quando foi ao ar pela primeira vez, Star Trek é, essencialmente, uma série política. E não precisa ser nenhum gênio, possuir uma capacidade de interpretação semiótica espetacular ou um doutoramento em ciências cinematográficas e da TV para chegar a esta conclusão. Na verdade basta assistir, assim como quem não quer nada, alguns dos seus episódios para que esse entendimento fique claro.
Um primeiro exemplo. Com “Balance of Terror”, da série original, aprendemos que o preconceito e a intolerância não têm vez na Enterprise. Devemos lembrar que os Estados Unidos naquela época ainda eram um Estado racial, onde negros não tinham os mesmos direitos que os brancos. Em “Let That Be Your Last Battlefield" a crítica ao racismo é mais explícita, tratado de aliens com a cor da pele diferente que se odeiam.
De qualquer forma, o racismo AINDA continua vigorando e ceifando vidas por lá (e por aqui) vide o sufocamento brutal de George Floyd e o assassinato do menino Miguel Otávio.
eugenia é tratada tanto em “Patterns of Force”, que não é apenas mais uma história de nazistas no espaço. O mesmo tema encontramos no episódio amado “Space Seed”, onde um arqui-vilão racista — favorável à eugenia — tenta tomar o controle da Enterprise.
Em “Mirror, Mirror”, encontramos a barbárie imperialista e capitalista como a completa oposição da Federação. Em “The Cloud Minders” aprendemos que a sociedade de classes é irracional. Spock sentencia: esta não é uma liderança sábia. É a luta de classes manifesta de maneira contundente.
Mas seguimos. Falamos até agora somente da série clássica. E todas as outras que vieram em seguida? Em A Nova Geração somos apresentados às diversas críticas ao fascismo, à homofobia, ao capitalismo, ao colonialismo e tantos outros temas que são… políticos. Episódios como “The Neutral Zone” e “The Drumhead” são absolutamente políticos.
DS9 pode ser considerada a mais sombria de todas as encarnações de Star Trek e até por isso mesmo, talvez, a mais política. Nela somos confrontados com o racismo, o colonialismo, o genocídio, o fanatismo religioso, as relações desiguais e predatórias entre patrões e empregados, o ensino laico etc. etc. etc.
São tantos temas, tantas reflexões políticas que a tarefa de enumerá-las é difícil. Talvez um dos 45 minutos mais brilhantes de todos os tempos já apresentados na TV mundial seja o episódio “Far Beyond the Stars”, onde Ben Sisko e Benny Russell, no passado e no presente, de conectam, sem saber mais quem é o sonho, quem é o sonhador. Porém evidenciando que a luta contra o racismo atravessa os séculos.
Os negros ainda continuam sendo massacrados, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil, seja na África ou no Haiti, ainda vítimas de desagregação social e econômica imposta pelos europeus ao longo de cinco séculos.
Star Trek nos faz refletir sobre isso, não somente nos episódios explicitamente políticos, mas também em ideias que a circundam desde sempre, como a Diretriz Primeira, um salto civilizacional. A Federação é uma sociedade sem classes, que superou o capitalismo e que tem outros objetivos muito além da concentração de riqueza.
Em Voyager encontramos a discussão sobre a guerra, sobre a indústria cultural, sobre a assimilação borg, nada mais, nada menos, do que a assimilação imperialista que submete culturas, as hegemoniza e as coloca para trabalhar em benefício do explorador.
Em Enterprise, encontramos discussões sobre a xenofobia, sobre o racismo, sobre a intolerância. As questões de gênero também são abordadas.
Em Discovery voltamos à reflexão sobre o fascismo, que volta e meia assombra a Federação. Como disse um pensador: o fascismo é eterno. Basta a mínima instabilidade econômica, social ou política, para que ele seja conjurado novamente. A ideologia é brilhantemente abordada em “The Sound of Thunder”.
Picard nos mostra com uma crueza belíssima o que é a o ódio ao diferente. A ficção científica tem nos mostrado há décadas a discussão sobre a vida artificial, tema abordado de maneira incrível por Picard. A representação da intolerância é feita pela relação entre humanos e androides.
Por essa e outras, que me parece inconcebível um fã de Star Trek não aceitar que a série é política sim. As evidências estão aí. Nessa época em que o racismo aflora com toda força, em que o fascismo perdeu a vergonha e saiu à luz do dia, mais do que nunca é importante reforçar o caráter político de Star Trek.
A série, como um todo, sempre se posicionou sobre temas políticos e sempre do lado certo da história, ou seja, ao lado dos oprimidos e não dos opressores. Isso não é óbvio para quem assiste?
O fã também deve se posicionar, pois quem não se manifesta diante da opressão já escolheu o lado do opressor. O racismo e o fascismo devem ser destruídos, sem mais delongas. O universo de Star Trek e a utopia da Federação representam um mundo sem essas chagas, que não são fatos da natureza. Pelo contrário, são históricas e como tais são instrumentos de perpetuação das classes dominantes que podem e devem ser combatidos até a vitória final.
É por isso que eu gosto e sempre irei gostar de Star Trek. Afinal, se trata de uma série antifascistaantirracistaantimachistaanti-homofóbica e, especialmente, anticapitalista.
É a mais política das séries.
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terça-feira, 14 de abril de 2020

Filme de Star Trek: Discovery estaria em produção informa site



A tripulação do USS Discovery fará sua primeira aparição na tela grande em breve, segundo informações do site The GWW. De acordo com o que foi apurado pelo colunista Emre Kaya, a ViacomCBS está desenvolvendo um novo filme de Star Trek que terá como protagonistas os personagens de Star Trek: Discovery.

O longa será realizado pelos veteranos de Star Trek: Discovery, John Weber (Vikings e Locke & Key), Frank Siracusa (The Handmaid's Tale e Locke & Key) e Thom Pretak (Beauty and The Beast e Reign ), tendo a frente como produtores executivos Alex Kurtzman (Star Trek: Picard e Salvation), Heather Kadin (Star Trek: Picard e Salvation), Aaron Harberts (Zoey's Extraordinary Playlist e Reign) e Akiva Goldsman (Titans e Doctor Sleep).

Além disso, as informaçãos até o momento dão conta de que o filme está programado para iniciar a produção o mais rápido possível, que só não teria sido iniciada aindaO devido ao surto de COVID-19.

Embora o orçamento do filme seja desconhecido, fontes próximas à indústria informaram que o orçamento provavelmente ficará entre 60 e 80 milhões de dólares.

Outras fontes relatam que o filme poderia se tratar de um crossover entre a tripulação da Discovery e da Enterprise da Kelvin timeline. 

O filme atualmente sem título está definido para ser filmado nos novos CBS Studios e no Pinewood Studios.

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sábado, 25 de janeiro de 2020

Patrick Stewart e Brent Spiner nos bastidores de Star Trek: Picard


📸 Registro maravilhoso dos bastidores de 'Remembrance', primeiro episódio de #StarTrekPicard. A foto foi feita pela diretora Hanelle Culpepper.

Como é bom ver a grande amizade de Picard e Data novamente na tela.

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Hanelle Culpepper faz história em Star Trek: Picard


















🎥 Hanelle Culpepper dirigindo Patrick Stewart no primeiro episódio de #StarTrekPicard.


Culpepper fez história ao se tornar a primeira mulher a dirigir um episódio de estreia de Star Trek. Além disso, é uma mulher negra, o que torna o fato ainda mais importante.

Parabéns à diretora, pelo marco histórico e pelo trabalho impecável feito no episódio.

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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Canal Apenas um Trekker completa um ano



Hoje o canal Apenas um Trekker completa seu primeiro aniversário. Surgido a partir deste blog, o canal apresenta vídeos sobre o universo de Star Trek em geral.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Os 100 anos de DeForest Kelley


📅 Hoje é dia de celebração para os trekkers! Nesse 20 de janeiro comemoramos os 100 anos de DeForest Kelley, o nosso eterno Dr. Leonard McCoy. Nascido em 20 de janeiro de 1920, na cidade de Toccoa, na Geórgia (EUA), atuou em dezenas de filmes ao longo de sua carreira. No entanto, será eternamente lembrado por interpretar o médico ranzinza que, ao lado de Kirk e Spock, forma a santíssima trindade de Star Trek. Infelizmente, Kelley não está mais entre nós, tendo falecido em 1999.

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sábado, 18 de janeiro de 2020

Lançamento do livro 'Star Trek: Utopia e Crítica Social' em Porto Alegre

📸 Alguns momentos da noite de ontem no lançamento + sessão de autógrafos do livro 'Star Trek: Utopia e Crítica Social", em Porto Alegre. Muito obrigado a todas e todos que passaram por lá e que me proporcionaram instantes inesquecíveis. Se tu ainda não tens o livro, corre lá e garante o teu: https://livrostartrek.loja2.com.br/9247624-Livro-Star-Trek-Utopia-e-Critica-Social
















Programa Folhetim aborda Star Trek e a utopia na ficção



"Folhetim aborda Star Trek e a utopia na ficção: No Folhetim dessa semana recebemos o professor e historiador Eduardo Pacheco Freitas. Conversamos com ele sobre a utopia e a crítica social em Star Trek, tema do seu lançamento mais recente. No livro, ele analisa episódios de várias séries da franquia para entender como é feito o tratamento de questões políticas sob a perspectiva futurista da ficção científica."

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Entrevista no programa Radar sobre o livro 'Star Trek: Utopia e Crítica Social'





Confira minha entrevista no programa Radar no último dia 15, onde falei sobre o livro Star Trek: Utopia e Crítica Social.

Gravação do programa Folhetim, da Rádio da Universidade 1080 AM


Nesta sexta, gravei o programa Folhetim, apresentado por Pedro Palaoro e com participação de André Grassi. O papo foi sobre o livro 'Star Trek: Utopia e Crítica Social", recém lançado. O programa vai ao ar neste sábado (18) às 13:30 pelos 1080 AM ou na internet pelo site ufrgs.br/radio.