sábado, 7 de janeiro de 2017

Entrevista com John Putman, "professor de Star Trek" na San Diego State University



Professor John Putman exibindo cartão assinado por George Takei

John Putman é um historiador que, assim como a maioria dos trekkers, apaixonou-se por Jornada nas Estrelas ainda na infância. Contudo, ao se tornar adulto, levou sua paixão para o trabalho e hoje ministra o curso "Star Trek, Culture and History", no Departamento de História da San Diego State University. Nascido na Inglaterra, Putman foi criado nos Estados Unidos, onde atualmente vive, na cidade de San Diego, Califórnia. Confira abaixo a entrevista que o blog fez com o "professor de Star Trek".

Professor John Putman, como surgiu seu interesse pessoal por Star Trek e como isso foi levado para o meio acadêmico?

Meu interesse pessoal se desenvolveu quando eu era garoto e assistia a série original depois da escola. Eu me sentava na poltrona da nossa sala de estar e fingia saltar quando a nave do capitão Kirk era sacudida. Star Trek se tornou um interesse acadêmico durante a pós-graduação, quando vi o episódio "The Measure of Man", de The Next Generation, no qual Data enfrenta um interrogatório que poderia levar ao seu desmonte. No episódio, Guinan compara a situação de Data à escravidão e assim eu vi como eu poderia usar este episódio em conjunto a alguns documentos pró-escravidão em um trabalho escrito. Após começar a trabalhar na San Diego State University eu percebi que poderia desenvolver um curso que usasse Star Trek para ajudar a ensinar a história dos EUA desde a Segunda Guerra Mundial.

Do ponto de vista histórico, qual a importância de Star Trek para a segunda metade do século 20 e início do século 21?

Já que Star Trek é um programa de televisão nós não devemos fazer muito dele. No entanto, ele pode nos fornecer uma visão de muitas das questões importantes que os EUA e os seres humanos em geral enfrentaram na segunda metade do século 20 e além. A série ofereceu comentários sociais sobre questões como raça, política, guerra, gênero, sexualidade, etc. e incentivou os telespectadores a pensarem e reconsiderarem suas próprias opiniões. Além disso, o show é claramente parte da cultura norte-americana, como se torna evidente a partir da miríade de paródias e referências as quais quase todos estão familiarizados.

Putman: "Star Trek incentivou os telespectadores a pensarem
e reconsiderarem suas próprias opiniões"

Em minha visão Star Trek reflete a realidade ao mesmo tempo em que ajuda a constituí-la, basta ver a quantidade de crítica social que a série sempre trouxe em suas histórias e como ela simultaneamente influenciou ao longo do tempo a arte e a ciência. Como você vê essas relações?

Sem dúvida, o impacto de Star Trek vai além da audiência e das receitas de bilheteria. Ele inspirou e ainda inspira de alguma forma as pessoas, de engenheiros e cientistas a filósofos. Além disso, mudou a natureza da ficção científica, estabelecendo um parâmetro mais alto e exigindo mais do seu público. 

Com sua experiência como pesquisador, que conselhos você daria a um pesquisador brasileiro que quisesse pesquisar Star Trek, de forma que esta pesquisa fizesse sentido em âmbito regional, por exemplo?

Star Trek, por ser um programa de televisão norte-americano, produzido por escritores norte-americanos para, inicialmente, uma audiência norte-americana, em sua maior parte reflete a cultura e a sociedade norte-americana. No entanto, muitos de seus temas também são universais, como o que é ser humano. Além disso, mesmo aqueles temas ou mensagens dirigidos a um público norte-americano podem ser aplicados de algumas maneiras a outros lugares. Em termos de pesquisa, seria interessante ver como as diferentes audiências veem ou interpretam as mensagens através de seus próprios prismas.


Agradecimentos à J. Tonelotto pelo auxílio na tradução. 

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