domingo, 7 de fevereiro de 2016

Nimoy morreu se recusando a ver Shatner

Com informações de http://www.thesun.co.uk/


Por cinco meses antes de morrer, Leonard Nimoy, o intérprete de Spock em Jornada nas Estrelas, recusou-se a ver seu velho amigo, William Shatner.

Em seu novo livro, Shatner, que interpretava o capitão Kirk na série original de Star Trek, revelou que tudo começou quando Nimoy se recusou a participar do seu documentário "The Captains".

Ele disse que Nimoy "parou de falar com ele" após sua equipe o ter filmado falando em uma convenção sem sua permissão.

No livro "Leonard: My fifty year friendship with a remarkable man", Shatner, com 84 anos, escreve: "Eu o procurei diversas vezes para tentar resolver este problema, mas nunca obtive resposta".

Ele disse que a controvérsia foi "algo que sempre tentará entender, e se arrepender, para sempre".

Os dois se comunicavam exclusivamente através de seus agentes. Shatner afirma: "foi muito doloroso, pois nunca tive um amigo como Leonard".

Eles se viram pela última vez em outubro de 2014, quando gravaram juntos um comercial de carro na Alemanha.

Nimoy, que foi padrinho de três dos quatro casamentos de Shatner, morreu de doença pulmonar cinco meses depois, em 27 de fevereiro de 2015, aos 83 anos.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A criação de Odo

Abaixo, a antológica cena de "Broken link", último episódio da quarta temporada de Deep Space Nine. Com história de George Brozak e roteiro de Ira Steven Behr e Robert Hewitt Wolfe, este episódio apresenta a transformação definitiva do metamorfo Odo em um humanoide.

O espanto de Odo ao sentir pela primeira vez possuir um corpo sólido foi representado em tela como a criação de Adão na famosa pintura de Miquelângelo no teto da Capela Sistina. Foi uma grande intuição dos realizadores do episódio. A aproximação entre Adão e Odo neste momento é singular. Dois homens, plenamente desenvolvidos, criados em apenas um instante, com tudo que isso possa significar.

Sobre a cena, o ator intérprete de Odo, René Auberjonois diz:

"Eu tentei transmitir o espanto de Odo. Todas as emoções que estavam passando por ele, como deve ser de repente ter um corpo e sentir as coisas dentro e fora dele, bem como todos os sentidos, como cheirar e saborear, que ele nunca teve antes. Eu era um adulto recém-nascido. Foi maravilhosamente desafiador tentar comunicar todos estes sentimentos. Foi emocionante para ele, mas ao mesmo tempo ele estava apavorado, cheio de um sentimento de perda. Ele perdeu algo de si mesmo, mas outra coisa começou."

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

The Trek Stooges


William Shatner está pronto para retornar a Star Trek como um capitão Kirk idoso

Com informações do site www.hollywoodreporter.com

Os rumores sobre a volta de William Shatner ao universo de Jornada nas Estrelas no filme Star Trek: Beyond se confirmaram falsos, mas o ator revela estar muito disposto a encarnar novamente o papel de capitão Kirk que lhe tornou célebre.

Como única condição, Shatner afirma que voltaria somente no caso de um papel que valesse a pena - não apenas um mero figurante - em uma próxima encarnação da franquia.

Falando a Scott Feinberg, do The Hollywood Reporter, na última edição do podcast Awards Chatter, William Shatner disse que, apesar da morte do capitão no filme Generations, de 1994, isto não poderia impedi-lo de voltar a interpretar Kirk, desde que a ideia para o papel fosse boa.

"Quando terminamos nossos filmes - os seis que fiz - Kirk já estava usando óculos, grisalho e um pouco velho. Eu escrevi uma série de romances em que eles me permitiram contar a história do capitão Kirk. Assim, nessa série de romances, meia dúzia deles, eu criei um mundo inteiro para o capitão Kirk."

Os livros aos quais Shatner se refere iniciaram em 1995, com o título "Star Trek: The ashes of Eden", onde como co-autor, William Shatner trouxe o personagem de volta à vida na era de Star Trek: The Next Generation. "Eu adoraria ter transformado estes livros em filmes", ele disse.

Embora Shatner tenha chegado a se reunir com J. J. Abrams para discutir uma aparição no filme de 2009, esta acabou não acontecendo. Shatner perguntou aos produtores: 

"Como vocês vão tratar desta questão, em termos de ficção científica? Eu estou mais velho, mais gordo, eu tenho todos os problemas que a idade traz. Então, o que o capitão Kirk faria? Morrer e envelhecer? Não soa ficção científica o bastante. Ou quem sabe o fizessem muito velho. Eu não sei. Parece ter empobrecido a imaginação de Abrams."

No entanto, isso não significa que ele não esteja preparado para um retorno quando alguém descobrir como fazê-lo.

"Eu gostaria de interpretar um capitão Kirk velho, com certeza. Você teria que ter um personagem interessante, não uma participação especial tipo "Aqui estou eu, não estou interessante?" É o mundo em movimento, é o mundo dentro da ficção científica. Sim, você envelhece dentro do universo. O tempo passa, mas há curvas de tempo também. Há tantas coisas que você poderia fazer."

Durante o podcast, Shatner também fala sobre sua experiência em ter feito o Star Trek original, que em setembro completará 50 anos de estreia. E mais ainda: a tentativa de resolver a velha discussão dos fãs.

"Star Wars é melhor que Star Trek? Quem se importa? Ambos são produtos de entretenimento e ambos são bem feitos."






quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Chris Pine presta homenagem a Leonard Nimoy: "Ele era um homem da renascença"

Com informações do site http://www.trektvnews.com/

Talvez o fato mais importante do filme de 2009 tenha sido a presença de Leonard Nimoy que, ao reprisar seu icônico papel, ajudou a estabelecer uma ponte entre a velha geração de fãs e os novos trekkers. 

O ator Chris Pine, que interpreta o capitão Kirk nos filmes da nova linha de tempo de Star Trek, fala com carinho do tempo em que contracenou com Nimoy:

"Ele era uma criatura gentil, suave. Muitas pessoas neste negócio, com esse tipo de carreira e pedigree que ele tinha, podem caminhar pelo set e você sentir que o ar é sugado para fora da sala. Ele nunca exigiu esse tipo de espaço."
Além de se referir a humildade de Leonard Nimoy, Pine relembra as conversas no set de filmagem, sobre os outros trabalhos do ator, que iam muito além do cinema e de Jornada nas Estrelas:
"Ele era um homem muito zen e tranquilo, um homem bonito. Muito observador também. Houve uma cena no primeiro filme em que eu encontrava Spock Prime e ele falava sobre meu pai. Há muito tempo de espera em um set. Obviamente, durante muito tempo você está atuando, mas frequentemente você está sentado em uma cadeira esperando o diretor iniciar a filmagem. Então nós falávamos sobre arte, sobre fotografia, sobre a sua filantropia, sobre viagens, sobre alimentação. Ele era um homem da renascença, do tipo mais elevado. O que eu sempre apreciei - e que não estou praticando agora - é que os homens de poucas palavras não precisam falar muito para transmitir uma quantidade enorme de empatia, inteligência, de atitude. Ele era um homem que ouvia bem."
Sem dúvida alguma são declarações interessantes, que revelam o grande respeito do elenco atual pelos atores que criaram tudo isso na década de 60. Em outra ocasião, Zachary Quinto, que interpreta Spock nos filmes atuais, já havia manifestado igualmente seu profundo respeito por Leonard Nimoy, através de suas postagens no Instagram

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Ideias, ideias...


Quatro coisas que já sabemos sobre a nova série de Star Trek

Com informações do site http://rogert.co/

Conforme anunciado em novembro do ano passado, Jornada nas Estrelas ganhará uma nova série para a TV em 2017. Depois de mais de dez anos sem uma produção televisiva inédita, o anúncio aguçou a curiosidade dos trekkers, mas até o momento poucas informações a respeito do projeto foram divulgadas. No entanto, alguns fatos já são conhecidos, como podemos conferir na lista a seguir:

1. O novo Star Trek irá ao ar em 2017 como a primeira série original da nova plataforma VOD da CBS

Tudo vai começar em janeiro de 2017, com a exibição do primeiro episódio na rede regular da CBS. Após a estreia, todos os episódios irão ao ar exclusivamente no CBS All Access, um serviço de vídeos sob demanda (VOD), concorrente da Netflix, que cobra US$ 5,99 por mês. A má notícia é que o serviço funciona somente nos EUA. 

2. Alex Kurtzman vai chefiar a nova série

Depois de ter trabalhado nos filmes de Star Trek da fase J.J. Abrams, Kurtzman vai atuar como produtor executivo do novo programa da CBS. Desta vez, Kurtzman não contará com seu colaborador habitual, Roberto Orci, trabalhando na nova série ao lado de Heather Kadin, chefe de desenvolvimento da produtora de Kurtzman, a Secret Hideout.

3. A série apresentará novos personagens

Apesar dos rumores de que a nova série não terá relação com a linha de tempo alternativa dos filmes de Abrams, isto não está definido, ao menos publicamente. O que já sabemos é que ela irá "introduzir novos personagens em busca de novos mundos e novas civilizações, enquanto explora temas contemporâneos, que têm sido a assinatura da franquia". Na prática isto significa nave e tripulação completamente novos, atuando como ponto focal da série, ocorrendo simultaneamente aos novos filmes. 

4. Nenhum roteirista foi escolhido até o momento

Parece estranho o anúncio de uma nova série porém sem um escritor, mas podemos imaginar que algum grande nome estará a bordo do projeto. A tripulação que geralmente acompanha Kurtzman inclui Roberto Orci, Abrams, Len Wiseman (Underworld, Sleepy Hollow), e Josh Friedman (Guerra dos Mundos, The Sarah Connor Chronicles). Sabendo disso, fica claro que não há escassez de nomes reconhecidos no círculo de Kurtzman. A questão é quem ele vai optar em levar para a redação do novo Star Trek. Há ainda a chance de que o material que está sendo recuperado dos disquetes de Gene Roddenberry possa ser aproveitado, algo que, realmente, seria um grande presente para os 50 anos da franquia.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Como o Instituto Smithsonian está restaurando a USS Enterprise original

Com informações do site http://arstechnica.com/

Nas profundezas do Smithsonian, a Enterprise desmontada
O Instituto Smithsonian é uma instituição com fins educacionais, vinculada a uma série de museus  e criada pelo governo dos Estados Unidos em 1846. 

Neste momento um destes museus, o Museu Nacional Aeroespacial, está realizando a restauração da USS Enterprise utilizada em todos os episódios da série original. 

O modelo foi doado ao Smithsonian em 1974, mas foi retirado da exposição pública em setembro de 2015, uma vez que estava em extrema necessidade de conservação.

"Estamos trabalhando para estabilizá-lo e trazê-lo para uma aparição como as pessoas viram no programa", afirmou Nicholas Partridge, um porta-voz do Smithsonian.

A restauração tem como objetivo específico fazer com que o modelo volte a ser como aparentava durante as filmagens do episódio "The Trouble with Tribbles", também conhecido como a "última modificação conhecida da nave durante a produção de Star Trek." 

Para os próximos meses está programado que a Enterprise seja transportada para o Boeing Milestones of Flight Hall onde voltará a ficar em exposição.

Nas fotos abaixo podemos ter uma ideia da complexidade do trabalho.

Detalhe da seção disco com luz natural

Aqui em infra-vermelho

Esperamos que o Smithsonian exiba sua coleção de
fotos originais e negativos do modelo também

Restauradora Ariel O'Connor realiza fluorescência de raio x para
descobrir qual a liga metálica utilizada na construção da nacele
Quem sabia que o interior da Enterprise tinha esta aparência?

As entranhas da Enterprise!
Especialista tenta descobrir qual o tom exato de cinza do modelo original
Museólogos testam as tiras de iluminação LED dentro do modelo

Pelo visto a equipe é extremamente meticulosa e profissional. Do seu trabalho sairá a Enterprise restaurada, novinha em folha, como na década de 60, pronta para receber todas as homenagens nos 50 anos de Jornada nas Estrelas. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Co-roteirista Doug Jung fala sobre a parceria com Simon Pegg em Star Trek: Beyond

Com informações do site trekcore.com

Ninguém sabe muito a respeito de Doug Jung, que assina o roteiro de Star Trek: Sem Fronteiras com Simon Pegg. No entanto, em entrevista para o podcast "Writer's Bone" foi possível conhecermos um pouco mais da carreira do escritor.

Além de falar sobre o curtíssimo prazo para a execução do roteiro, Jung também expressou sua visão sobre assumir tamanha responsabilidade:

"Eu estava hesitante em aceitar o trabalho - mas tipo, você seria um idiota em não aceitá-lo - mas o fato é que é um pouco intimidante. Há uma quantidade de informações e muitos anos e camadas que vão para o cânone de Star Trek."

Iniciados os trabalhos, não foi apenas mais um trabalho, a história de ambos compartilhada com Star Trek teve um impacto. 

"Houve momentos em que estávamos lá sentando trabalhando juntos e pensávamos: "Ok, isso tudo é muito estranho. Precisamos pensar em uma boa fala de Spock. Ou o que seja, um boa piada para Bones. Tivemos algumas boas ideias, mas pensávamos: Será que não fizeram isso em algum episódio de TNG? De onde estamos tirando essa ideia? Foi o tipo de coisa que veio à tona."

O fato é que eles não só fizeram suas próprias pesquisas, mas, quando necessários, também buscaram o feedback de outros especialistas em Jornada nas Estrelas durante o processo de escrita:

"Tivemos muitas pessoas que eram fãs de Star Trek, que conheciam tão bem, nos apoiamos nessas pessoas um pouco. Tivemos um cara que fez todo o dialeto alien, e no script havia algo sobre teologia vulcana que eu tinha entendido errado... Então ele me enviou um e-mail dizendo "Na série original, nós estabelecemos que Spock..." E eu, literalmente, "Isso é ótimo" Como isso é fantástico! Buscamos tirar isso de todos os lugares que pudemos."

Jung também falou longamente sobre a parceria de escrita e como a familiaridade de Pegg com o material acrescentou muito.

"O que eu gostei sobre o ponto de vista de Simon é que ele é um ator no reboot e isso o faz ter um certo ponto de vista em alguns momentos. Isso foi muito legal, pois estávamos criando cenas que hove o diálogo do tipo vai-e-vem bastante pesado e às vezes ele podia dizer: "Acho que ele não diria isto." Ele conheciam os personagens e os atores realmente muito bem, então ele podia algumas vezes adaptar certas coisas para aquilo que considerava o ponto forte deles."

Por último, ele também falou sobre o trabalho da dupla para tentar construir os personagens da Enterprise no novo filme:

"Uma das coisas que tentamos determinar enquanto fazíamos isso foi a dinâmica entre os personagens. Lembro que um dia estávamos falando: Chekov e Sulu já conversaram na tela? Fomos ver os outros dois filmes e eles nunca tinham conversado. Então, justamente porque Pegg estava lá, ele sabe tudo, tipo "Aqui temos uma oportunidade". No sentido de que pudemos construir relacionamentos que não foram explorados antes"
Na opinião deste humilde blogueiro trekker, esta entrevista só comprova aquilo que já estamos falando nos últimos meses: a franquia foi entregue nas mãos de pessoas que desconhecem completamente o universo de Jornada nas Estrelas. Como diz aquele velho ditado: "de onde menos se espera é que não sai nada mesmo". Espero estar redondamente enganado. Mas creio que não estou.  

Zefram Cochrane: um mito histórico

"Não tente ser um grande homem, basta ser um homem. E deixar a história fazer seu próprio julgamento" -Zefram Cochrane, 2073.

Star Trek: First Contact, considerado o melhor filme da franquia por muitos trekkers, completa 20 anos em 2016. Dentre todas suas qualidades, a obra aborda questões muito importantes, exploradas através do contato da tripulação - no século 21 - com o grande heroi histórico do século 24: Zefram Cochrane. Ali descobrimos que um dos grandes vultos históricos no panteão da Federação é um homem de carne e osso. Glorificado, santificado, reverenciado, mas apenas um homem, com seus dilemas e conflitos, apesar de toda a mitificação que a história lhe reservou.

Apesar da ressaca, estou pronto para fazer história!
No universo de Jornada nas Estrelas o século 24 - no qual se desenrolam as histórias de Star Trek: The Next Generation - representa uma espécie de apogeu da espécie humana. O capitalismo foi superado, já não existindo mais a exploração do homem pelo homem, tão característica da nossa época. Da mesma forma, o fenômeno do nacionalismo deixou de existir, pois o mundo inteiro está unificado, não havendo os conflitos intrínsecos aquele status político.

Os seres humanos que vivem em tal século, sabedores do passado violento da humanidade - violência esta que surgia muito em razão das divisões entre as classes e as nações - consideram viver uma espécie de utopia real: um sonho acalentado durante milênios pelos seres humanos que ali, naquele momento histórico, se tornou real.

Talvez eu nem devesse contar isso... mas frequentei o colégio Zefram Cochrane!
O ponto de partida para essa nova realidade humana, de acordo com a perspectiva presente em muitas das histórias que vemos em Star Trek, se dá justamente através do trabalho do doutor Zefram Cochrane, que no século 21, em um planeta Terra que ainda se recupera da devastadora 3ª Guerra Mundial, promove o primeiro voo espacial com a tecnologia de dobra. A partir deste voo, detectado por uma nave vulcana que passava por nosso sistema solar, acontece o primeiro contato da humanidade com uma espécie alienígena, fato que irá nos influenciar profundamente, no sentido de atingirmos a paz e uma grande evolução tecnológica - devido em boa parte trabalho conjunto entre as duas espécies - humanos e vulcanos - que se acrescentam mutuamente, e formam a Federação dos Unida dos Planetas. 

No entanto, Zefram Cochrane é um homem de carne e osso, beberrão e com um grande e único sonho: ganhar muito dinheiro com sua invenção, para que pudesse usufruir de uma ilha repleta de mulheres nuas, como afirma ao comandante William Riker.

Após todos os episódios em que vemos o nome de Cochrane ser glorificado, em Star Trek: First Contact somos apresentados a faceta real de um heroi mitificado pela historiografia do século 24.

O lugar exato onde sua estátua vai ficar!
Lucien Fevbre, famoso historiador francês, bastante conhecido pela renovação da história como ramo do conhecimento humano em seu trabalho na Escola dos Annales, disse certa vez que a a história é filha do seu tempo.

Nada mais certo.

No século 24, século de grandes conquistas, realizações e qualidade de vida, é natural que a história lance seu olhar ao passado em busca das origens da estabilidade e prosperidade.  E a resposta que se impõe é: Zefram Cochrane. O homem, o mito, o ser humano que, com sua invenção, iniciou uma era de paz e harmonia na Terra. O historiador questiona o passado sempre com perguntas do presente. A pergunta nos séculos iniciais da Federação é esta: como superamos nosso passado de miséria e violência e atingimos este nível de vida tão avançado? O parágrafo inicial da resposta, para os historiadores do futuro, não pode ignorar o nome de Zefram Cochrane. Daí a origem de sua idealização, em detrimento de seu lado humano e limitado. Não podemos desconsiderar como ingrediente neste processo mitificador o fato de que Cochrane desapareceu, sem seu corpo ser jamais encontrado, à imagem e semelhança dos melhores messias. Contudo, no episódio "Metamorphosis" da segunda temporada da série original ele é localizado, vivo e rejuvenescido, por Kirk, Spock e McCoy. Todavia, o trio acordou não revelar a fantástica descoberta, preservando o exílio voluntário de Cochrane.

O que importa é que este é um caso onde a construção historiográfica alçou um simples homem - que embora tenha dado uma contribuição valiosa à humanidade - à condição de santo, mesmo sendo ele, como todos os mortais, cheio de defeitos e de idiossincrasias. 

Por exemplo, ao conversar com Geordi e descobrir que no futuro ergueriam uma estátua em sua homenagem, Cochrane tenta fugir de sua grande missão na história, não aceitando que ele, homem mundano, se transformasse em uma espécie de messias, objeto de culto no futuro. 

Outro momento interessante reside no diálogo com William Riker, quando os dois preparam a nave Phoenix, que fará o primeiro voo em dobra espacial. 

Zefram está de ressaca, mas pronto para fazer história. Quando os dois enxergam a Lua no céu e Riker passa a relatar sobre os 50 milhões de pessoas que vivem lá no século 24, em cidades maravilhosas, Cochrane desabafa: 

"Não diga que é graças a mim! Já ouvi demais sobre o grande Zefram. Não sei quem escreve sua história ou onde vocês obtém informações sobre mim. Vocês têm ideias estranhas a meu respeito. Sou visto como um santo ou um visionário. Quer saber qual é a minha visão? Cifrões. Dinheiro. Não construí esta nave para levar a humanidade a uma nova era. Acha que quero ir às estrelas? Nem gosto de voar. Ando de trem! Construí essa nave para ir a uma ilha tropical, cheia de mulheres nuas. Esse é Zefram Cochrane. O outro cara de quem falam, essa figura histórica, nunca o conheci."

Eu quero é grana!
Se por um lado, esta é apenas a visão que Zefram tinha de si próprio, sem perceber a magnitude de sua invenção, por outro é um relato revelador, que comprova ser a idolatria dos seres humanos do século 24 em relação ao cientista um pouco distorcida. Sim, seus feitos foram grandiosos; Mas não, Zefram Cochrane não era uma pessoa desprovida de defeitos, ao contrário, os tinha aos montes. Era apenas... humano. A sua  representação no imaginário dos homens e mulheres dos séculos 23 e 24 é quase correspondente a de um Jesus Cristo, de um São Francisco de Assis: um homem sem pecados que se sacrificou pela humanidade

A história não pode ser uma criadora ou narradora de mitos. Ao historiador, cabe o máximo distanciamento crítico possível, em sua busca incessante pela reconstrução do passado. E esta palavra é importante: reconstrução. O Zefram Cochrane conhecido no século 24 não é o mesmo do século 21. Ele foi reconstruído, a partir de opções, de escolhas realizadas pelos historiadores que vivem 300 anos depois, de forma que a sua imagem histórica se afastou do homem original, tornando-se um mito. Portanto, é preciso muito cuidado para não resvalarmos na satanização ou no endeusamento de personagens históricos. Não existem anjos ou diabos. Existem mulheres e homens que, de formas mais ou menos intensas, protagonizam a história. Está aí o caso de Zefram Cochrane, inteligentemente pensado pelos criadores de Star Trek: First Contact, para ilustrar.